Eu nunca parei para pensar em como é ter um irmão. Sempre fui filho único, mas cresci com bastante ‘irmãos’ de escola a minha volta, talvez por isso, nunca quis ter um irmão de próprio sangue – digamos assim. As amizades que eu cultivei naquele tempo infantil, hoje se transformaram em irmandade, muito além do que eu poderia imaginar e é exatamente disso que Fullmetal Alchemist Brotherhood se trata, além é claro das brigas casuais entre os Elric.
Na trama, Edward e Alphonse Elric retornam para uma nova jornada atrás da verdadeira amizade. Retornam, pois Brotherhood é o anime baseado diretamente do mangá, e coordenado pela autora original, enquanto o primeiro anime (somente Fullmetal Alchemist) teve uma direção diferente do que a autora propôs e um final tanto quanto ‘ruim’ – na opinião da maioria.
Voltando à Brotherhood, Ed e Al precisam reparar os erros do passado, quando tentaram reviver a mãe morta por meio da alquimia, e
acabaram perdendo o corpo inteiro (Al) e um braço e uma perna (Ed) no processo. Ed conseguiu prender a alma de Al em uma armadura gigante e, o que os move é arrumar um meio para recuperar suas partes faltantes – assim como no primeiro anime (mais isso é só o começo!).
Porém as diferenças entre ambos os desenhos terminam nesse ponto – ou no 6º episódio – porque contar a mesma história não tem graça. A grande sacada de Brotherhood é pegar todos os elementos do outro anime e transformá-los em uma nova maneira, mudando fatos de lugar, ou alguns caminhos que os personagens rumam, e quase nunca alterando a história original.
Há partes que a história responde algumas perguntas deixadas no vácuo anteriormente, e isso me agradou muito, além de completar com informações de detalhes em cenas que antes passaram batidas. Para quem assiste apenas o Brotherhood dá a impressão que tudo está mais claro e objetivo, não precisando ver o primeiro anime, talvez somente ler o mangá – ou o Guia Completo da Editora JBC.
Por ser uma história humana que envolve “magia”, Fullmetal faz com que você se identifique com cada personagem apresentado, deixando como se você fosse amigo deles, que os acompanhassem e tivessem certo respeito, já que o drama de recuperar a vida é o mais importante, as amizades são mais importantes, e nisso que o anime acerta, muito mais que Cavaleiros do Zodíaco, ou mesmo Dragon Ball, pensando em animes forrados de personagens cativantes.
Por trás de tudo está o Estúdio Aniplex – empresa japonesa de propriedade da Sony Japan – que dentre seus mais conhecidos trabalhos em animação está Bleach, Blood+, D. Gray-Man e Samurai X, que prioriza um trabalho de qualidade de suas franquias. Além da autora Hiromu Arakawa, nascida em Hokkaido, Japão e crescida em uma fazenda, de onde tirou o conceito ético e paisagístico usado em toda série.
Fullmetal Alchemist Brotherhood é um anime sobre irmãos, sobre sobrevivência e acima de tudo amizade. Ser leal a quem está com você depende sempre do quão próximo você tem uma pessoa em quem confiar e delegar as coisas. Ed e Al estão além da amizade e do companheirismo, algo que só quem tem um irmão de convivência entenda, aquele que você daria sua vida para salvar a dele, e da própria família até porque é isso que move as pessoas: um lar doce lar na volta da longa e cansativa viagem. Nota 10.












